GENEALOGIA
Eu nasci há muitos anos atrás, mas mesmo assim, ainda continuo verdinho. Antes do meu nascimento aconteceram alguns fatos interessantes, confira:
Joaquim Domingos casa-se com Maria e tem seis filhos: Mariana, Francisca, Rosa, JOSÉ DO QUIM (pai do meu pai), Jorginho, Antônio e Benedito.
Moisés Bento casa-se com Vitoriana e tem nove filhos: Afonsina, Vicentina, Carmem, CONCEIÇÃO (mãe do meu pai), Cecília, Geralda, José, Alexandre e Inácio.
Zéca Borges casa-se com Dalina e tem sete filhos: João Borges, Nem Borges, Juca Borges, ROMUALDO (pai de minha mãe), Tião Borges, Geralda e Maria de Bragança Paulista.
Aristides Mello casa-se com Afonsina e tem oito filhos: Alzira, Ermínia (esposa de João Borges), ALICE (mãe de minha mãe), Magnólia, Irene, Mariinha, Juca e Walter.
Romualdo era casado com Alice. Eles tiveram nove filhos: Ica, Zico, Marica, Itagiba, NEM (minha mãe), Sebastião, Benedito, Lourdes e João Reis. Eles moraram na casa do Zéca Borges, que mais tarde ficaria para o João Borges.
José do Quim teve três esposas: a legítima Conceição, a viúva Mariana (mãe de Zé Surdo, Afonsina e o vereador Sebastião do PT) e a viúva Conceição (mãe de José). No primeiro casamento, teve sete filhos, entre eles, Davi, Geraldo, Maria, DITO (meu pai), Moisés, Tonho e Margarida; no segundo, teve apenas uma filha: Ana, mulher de Nenê Agostinho de Senador Amaral; no terceiro, não teve nenhum filho.
No início, Zé do Quim morava no Bairro do Portão. Ali nasceram os filhos. Com a morte de minha avó e com o segundo casamento de meu avô, a vida para meu pai ficou muito difícil, pois a madrasta agia como tal. Assim quando meu pai completou treze anos, saiu de casa e foi morar com Ângelo, sócio do sapateiro Antônio em Bom Repouso. Isto graças a indicação de Sebastião Andrade. Lá tudo deu certo. Conheceu Aurora, moça mais bonita da época. Ela era irmã de Bela. Bela era a esposa de Ângelo. Assim meu pai aprendeu o ofício dos mestres. Ganhou a confiança dos patrões. Ganhou, também, o coração de Brazilina, a irmã de Ângelo. Ela era de Campo Alegre, mas sempre estava na casa do irmão. O namoro deles durou quatro anos. Meu pai, com o dinheiro ganho de sapateiro, comprou uma casa em Senador Amaral, montou sua sapataria e mudou de endereço. Brasilina somente casou-se com o Chico Toniquinho alguns meses após o casamento do meu pai. Também foram morar em Senador Amaral.
Um dia, Aurora levou meu pai para conhecer sua família. Foram a cavalo. Ela na garupa. Nesse dia, houve um baile perto da fazenda do pai dela. Ela, mais duas colegas e o meu pai foram participar dessa festa. Eles amanheceram dançando. No dia seguinte, Fermino Elias chegou ali e colocou em cima da mesa uma grande quantia em dinheiro e disse que queria casar com Aurora. Meu pai ajudou a contar o dinheiro e viu que era uma boa grana. Aurora estava com 16 anos e o fazendeiro com 60 janeiros. Com o consentimento dos pais dela (Dito e Custódia) casaram-se. Tiveram dois filhos. Viviam felizes numa linda fazenda em Senador Amaral. Depois de três anos, acontece um final trágico. Fermino foi assassinado dentro de sua própria casa. Fora um crime mandado. O assassino fora frio e cruel. Meu pai sentiu bastante, pois era amigo do falecido.
Minha mãe, quando solteira, morava com Aristides Mello, antigo dono da casa que viria morar Romualdo e, em seguida, o João Borges. Deste modo, minha mãe era vizinha de meu pai em Senador Amaral (Confira o mapa no próximo capítulo). Assim, conversa vem, conversa vai; o bate-papo os levou à Igreja. O casamento realizou-se em 1952, alguns meses após a mudança. Ele tinha 20 anos e ela 17. A casa ficava na Praça Zéca Borges, perto do bar do João Borges, tio da minha mãe. Com o tempo, meu pai comprou mais três casas: uma à Rua Juvenal Ferreira e duas à Rua Tonico da Cunha. Meu tio Geraldo casou-se com Maria José no Portão e veio morar em Senador. Meu pai deixou a casa do centro da cidade para meu tio Geraldo e mudou-se à rua Tonico da Cunha, 41, a casa onde nasci. Depois veio também meu tio Moisés morar conosco. Meu pai ensinou os dois irmãos a arte de sapateiro. Alguns anos depois, o meu tio Geraldo resolveu voltar ao Portão. Deste modo, o Dito Evaristo Rosa, casado com a tia Maria, ocupa a casa, onde estava tio Geraldo. O meu avô Zé do Quim fica com a casa ao lado da minha, s/n.
Dito Rosa, em sociedade com meu pai, comprou um grande armazém no centro da cidade. Ali eles vendiam de tudo: desde os doces que minha mãe fazia até os sapatos feitos na sapataria do meu pai. Após três anos, Dito Evaristo resolve mudar para Cambuí e montar a sua loja lá. Então, ele comprou a parte de meu pai, só que papai nunca viu a cor desse dinheiro. O tempo passou. De repente meu tio Evaristo desaparece do mapa. Deixando família e uma dívida tremenda a pagar. A loja ficou abandonada e fora saqueada. Meu pai veio a Cambuí e levou consigo a tia Maria e os filhos. Depois de um mês, chega uma carta do Dito Rosa pedindo a meu pai que levasse a família do tio para Francisco Morato - SP. Meu pai fez o que estava escrito na carta.
De repente apareceu um homem vendendo uma Máquina de Farinha na cidade. Meu pai a comprou. Montou-a do lado da minha casa. Tornou-se num meio de ganhar o pão. De repente, o tio Tonho casa-se com Tereza e vem trabalhar na nossa Engenhoca. Então, ele foi morar numa das casas do meu pai. Assim mudou-se à rua Juvenal Ferreira, 93. Devido a falta de escritura e através da lei do usucapião, meu pai perdeu o direito das casas que emprestou aos seus parentes. Também trabalhava conosco a Dona Cida, mulher pobre, branca e de idade. Tinha marido e filhos negros. Zé negrinho, o nome do filho, era um grande amigo meu. Assim a máquina de farinha durou muitos e muitos anos. Deu para engordar vários porcos e criar várias galinhas e pombinhos. Além da Máquina e da Sapataria, meu pai e meu tio Moisés ainda resolveram plantar batatas. Um ano ganhava, outro ano perdia. O resultado dessa história você verá no capítulo 5.
O NASCIMENTO
Final de agosto de 1960, em Senador Amaral, durante uma Missa celebrada pelo Padre Antônio Noronha, nasci verdinho no colo do meio dia. Mas, o mais interessante nesse dia foi que meu pai estava servindo de acólito ao sacerdote. E a pessoa que foi chamá-lo durante a cerimônia não sabia como avisá-lo no momento. Mediante um sinal, o meu pai percebeu a importância do gesto. Depois que a missa acabou, ele saiu correndo para casa. Quando chegou, eu já havia nascido.
Dona Dilina, parteira de Senador Amaral, esposa do Zé Carneiro, metaforicamente foi um anjo para mim. Havia nascido semimorto e ela retardou a minha ida à outra dimensão. Assim, minha casa se transformou numa manjedoura, onde muitas pessoas chegaram para me ver. Entre elas, o Padre Antônio Noronha. Ele ficou um bom tempo conversando com o meu pai, porém desconheço o conteúdo dessa prosa. Só me lembro que já era quase noite e o vento estava gelado e nervoso, então o padre ficou na casa do meu pai para jantar. Durante a refeição, o padre perguntou ao casal, se gostaria de batizar o menino em breve. A família concordou e prometeram-lhe que o menino teria o nome do padre no sobrenome da família. Foi uma noite interessante, pena que eu não pude comemorar também. Bebê sofre, hein!