OS PAPAS

HISTÓRIA DOS PAPAS

SÃO PEDRO 42 - 67 
São Pedro era pobre pescador da Galiléia. Chamava-se Simão. Filho de Jonas, da tribo de Neftali, nasceu em Betsaida às margens do rio Jordão, junto ao lago de Genesaré. Ignora-se a data de seu nascimento. Tinha família, e uma vez Jesus curou-lhe a sogra. Seu irmão André era discípulo de São João Batista, mas, ao ver Jesus, correu logo a chamar o irmão, a quem o Salvador trocou o nome de Simão em Cefas, que significa Pedra (Jo I, 36-42). Foi-se confirmando o primado de São Pedro, que em muitas ocasiões, será por Jesus distinguido dos demais apóstolos. Assim, é da barca de Pedro que Jesus evangeliza a multidão no litoral. É a Pedro que Ele dá ordem de lançar a rede para a pesca milagrosa. É a Pedro que Ele sustem sobre as ondas. A Pedro dirigiu Ele estas frases divinamente majestosas: "Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E dar-te-ei as chaves dos Céus, e o que ligares sobre a terra será ligado nos Céus, e o que desligares sobre a terra será ligado também nos Céus." A Pedro foi confiada pelo Mestre a missão de apascentar os cordeiros (Jo 21, 15-17). São Pedro foi condenado a crucificação, mas pediu aos carrascos para ser crucificado de cabeça para baixo. Alegava que não era digno de morrer como morreu o Salvador.

SÃO LINO (67 - 76) - MÁRTIR - 23 DE SETEMBRO
São Lino nasceu em Volterra, na Etrúria. Testemunhou a queda de muitos imperadores romanos e a destruição de Jerusalém. Combateu firmemente a feitiçaria que tentava adulterar a sã doutrina. Sagrou 15 bispos e 18 sacerdotes em duas ordenações, transmitindo com isso os mesmos poderes sobrenaturais transmitido por Cristo ao primeiro papa São Pedro, e aos apóstolos. Segundo a tradição São Pedro antes de ser crucificado transferiu o papado São Lino com as mesmas palavras de Cristo: "Pedro tu és Pedra." Assim Lino passa a ser o fundamento da Igreja visível. Morreu mártir, decapitado por ordens do cônsul Satunino, cuja filha havia curado.

SÃO ANACLETO (78 - 88) - MÁRTIR - 13 JULHO
São Anacleto era grego. Aproveitou um tempo de paz concedida aos cristãos sob o reinado do imperador Vespasiano. Teve assim mais tranqüilidade para organizar a Igreja que crescia rapidamente. Chegou a ordenar 25 sacerdotes em Roma. Foi esse papa quem sancionou a veneração ao túmulo de São Pedro e erigiu um monumento sobre a sepultura do primeiro papa. Recebeu a coroa do martírio após onze anos de intensas atividades no trono de São Pedro.

SÃO CLEMENTE (89 - 98) - MÁRTIR - 23 DE NOVEMBRO
As fontes divergem quanto o local de nascimento de São Clemente: uma diz ter ele nascido em Roma, mas uma longa tradição afirma que ainda jovem fora convertido por São Pedro em Cesaréia da Palestina. Afirmou a superioridade do Pontífice Romano, sucessor de São Pedro, com relação às outras Sés apostólicas. Neste pontificado ocorreu a segunda perseguição aos cristãos. Foi preso no reinado de Trajano e condenado a trabalhos forçados nas minas, converteu muitos presos e por isso foi atirado ao mar com uma âncora amarrada ao pescoço; o mar porém afastou-se e apareceu o corpo num pequeno oratório.

SÃO EVARISTO (98 - 105) - MÁRTIR - 26 DE OUTUBRO
Nasceu em Antioquia; sabemos que São Evaristo em três ordenações criou 17 sacerdotes, 9 diáconos e 15 bispos, destinados a diferentes igrejas. As informações quanto ao seu martírio não são claras, não há documentos para afirmar se este santo papa foi martirizado ou não. Foi durante o pontificado de São Evaristo que faleceu o mais jovem os apóstolos, São João Evangelista, o único a permanecer aos pés da Cruz junto com Nossa Senhora.

SANTO ALEXANDRE (106 - 115) - MÁRTIR - 3 DE MAIO
Santo Irineu e Santo Eusébio de Cesária afirmam que Santo Alexandre foi o quinto papa. Recomendou o uso de água benta em casa para aspersão. Morreu decapitado sob o reinado de Trajano, imperador que procurou substituir o culto a Deus pelo culto ao imperador e a si próprio.

SÃO TELÉSFORO (126 - 136) - MÁRTIR - 5 DE JANEIRO
Telésforo era grego. Governou a Igreja em um período de paz, quando os imperadores Adriano e Antonino não publicaram editos de perseguição aos cristãos. Tais imperadores publicaram editados de certa forma generosos com relação aos cristãos. Porém, os pagãos, que não aceitavam as leis puras de Cristo, tentavam acusar os cristãos porque também pretendiam se apossar de seus bens. Devido a esse furor, muitos cristãos foram jogados aos leões. São Telésforo morreu mártir e foi sepultado junto ao túmulo de São Pedro.

SÃO HIGINO (134 - 140) - MÁRTIR - 11 DE JANEIRO
Foi filho de um filósofo grego. Governou a Igreja por 4 anos. Seu governo foi não só perturbado pelas perseguições aos cristãos, mas também pelos focos de heresia que começavam a nascer na Igreja dos primeiros tempos. Contando com a ajuda de São Justino, filósofo, condenou as heresias e os heresiarcas, e conseguiu triunfar com êxito diante desses perigos. Estabeleceu o costume de haver padrinho e madrinha no batismo. Tornou mais precisa a questão da hierarquia na Igreja. Não se sabe exatamente a causa de sua morte, acredita-se que também tenha morrido mártir.

SÃO PIO I (141 - 155) - MÁRTIR - 11 - JULHO
Esse Santo Padre foi eleito após três dias de jejum e oração dedicados pelos fiéis romanos na escolha do novo Pontífice. Era filho de Rufino e nasceu em Aquiléia, norte da Itália. Seu pontificado foi envolvido em questão com os judeus convertidos e com heresiarcas como Valentim e Márcion. Não temos notícias do martírio de São Pio I.

SANTO ANICETO (156 - 166) - MÁRTIR - 17 ABRIL
Nasceu na Síria, morreu mártir e foi sepultado no cemitério de São Calisto nas Catacumbas. Proibiu o cultivo do cabelos de padres para não ser um motivo de vaidade. Reuniu com São Policarpo para tratar de questões disciplinares que atormentavam a unidade da Igreja. Já em 1604 o duque de Altaemps dedicou-lhe uma linda capela, com este elogio: "Se a perfeita inteligência da Escritura, se a inocência e santidade de vida, se a glória do martírio, bastam, cada um de per si, para a imortalidade, o que devemos pensar do mérito de Santo Aniceto, que possuiu todos esses dons?"

SANTO SOTERO (167 - 174) - MÁRTIR - 22 ABRIL
O Pontificado de Sotero coincide com o reinado de Marco Aurélio, o "imperador filósofo", sob o qual os cristãos foram cruelmente perseguidos, ora enterrados vivos, ora despedaçados pelas feras. Os mártires cristãos puderam contar com o auxílio paternal de Santo Sotero. Ele próprio sofreu o martírio. Seu governo foi marcado pela doçura da caridade e a firmeza da fé com relação aos hereges. Coibiu os abusos e ensinou com caridade a verdade.

 

SANTO ELEUTÉRIO (175 - 189) - 26 DE MAIO
Nascido em Nicópolis do Épiro (Grécia) Santo Eleutério teve um pontificado pacífico no início. O imperador Cômodo, filho de Marco Aurélio, ficou célebre por suas extravagâncias que raiaram pela loucura; entretanto, odiado pela alta classe dominante, foi benigno para com os Cristãos, perseguidos e, em sua maioria, de condição humilde. Contam que Santo Eleutério recebeu cartas de Lúcio, rei de uma parte da Bretanha, pedindo sacerdotes que o instruíssem na fé cristã. Seria esse o primeiro chefe bárbaro europeu a se converter ao Cristianismo. Não se pode, porém, provar historicamente essa conversão. Este papa resolveu a questão, de origem judaica, sobre a distinção entre alimentos puros e impuros. (Certos alimentos, por exemplo a carne de porco, não são usados pelos judeus até hoje). Prende-se esta questão às normas erradas de Montano. Este herege pregava em Pepúcia (Frígia, Ásia Menor) um rigorismo exagerado, um novo reino milenário de Deus, e as "revelações" de duas mulheres como o "novíssimo testamento". Além disso, os montanistas idealizavam um desapego completo, que consistia num jejum quase contínuo, na proibição total das artes, dos espetáculos, das festas, em restrições proibitivas do matrimônio, na necessidade do martírio para se conseguir o Céu etc... Nessa ocasião os fiéis de Lião (França) enviaram Santo Irineu a Roma para tratar do assunto com o Papa. Vemos, nesta questão de fé, que dos pontos opostos do mundo então conhecido, a Cristandade recorre a Roma, ao Sucessor de Pedro. - Eleutério estabeleceu as normas mais antigas que se conhecem das festas de Páscoa. - Provável mártir, sua festa celebra-se em 28 de maio.

SÃO VÍTOR I (189 - 199) - 28 DE JULHO
Vítor I, nascido na África, filho de Félix. É algo incerta a cronologia deste papa. Alguns, seguindo o historiador Eusébio, fazem-no reinar até o ano 202. Teria morrido mártir na quinta perseguição, que foi movida nesse ano pelo imperador Sétimo Severo, ou então pouco antes, em uma sublevação de pagãos. Declarou que água comum, de fonte, de poço, de chuva, do mar etc... pode, no caso de necessidade, servir para a administração do batismo. Isto prova que já era costume em tempo de paz, usar-se a água benta com as cerimônias que usa a Igreja para a bênção das pias batismais. Sob S. Vítor a questão da data pascoal, de novo agitada, deu mais brilho à supremacia do Bispo de Roma. A Igreja conservara do ritual judaico o uso de se consagrarem a Deus vários dias de festas. O sábado (a festa semanal judaica) foi cedo substituído pelo domingo em memória do dia da Rssurreição do Senhor. As festas hebraicas caíram em desuso, menos Pentecostes e Páscoa. Por esta é que se estabelecia todo o calendário judaico cristão. Na Ásia era a Páscoa celebrada no 14o dia do plenilúnio de março. Em Roma pretendia-se que a festa fosse sempre num domingo. Os orientais e sobretudo a metrópole de Éfeso, com seu velho e enérgico bispo dos antigos judaizantes, obstinavam-se na conservação do seu costume. O papa, examinando a opinião das demais Igrejas, fixou a Páscoa para o domingo seguinte ao 13o dia do plenilúnio de março. Mais tarde, 130 anos depois, o memorável Concílio de Nicéia (325) deu plena razão a S. Vítor.

SÃO ZEFIRINO (199 - 217) - 26 DE AGOSTO
Após a morte de São Vítor, levaram os fiéis de Roma onze dias na escolha onze dias na escolha de seu sucessor. Era grande a responsabilidade do futuro papa, porque negras nuvens de nova perseguição se adensavam sobre a Igreja de Deus. Nessa angustiosa expectativa recorreram à oração. Deus ouviu suas preces. Foi eleito Zefirino, romano de origem. Decretou, entre outras coisas, o uso de pátenas de vidro e que se consagrasse o Precioso Sangue em vasos de cristal, e não de madeira, como o faziam algumas comunidades pela extrema pobreza dos cristãos. Nomeou seu auxiliar o Anzio Calisto, que foi depois papa, encarregou-o de ampliar o cemitério de Via Apla, onde se encontravam os túmulos de ilustres mártires como São Pretextato e São Domitila, parente do imperador Domiciano. Este célebre cemitério, até hoje conhecido sob o nome de São Calisto, tornou-se ilustre por sua extensão e por possuir local distinto para os sumos pontífices. O imperador Severo, no décimo ano de seu governo desencadeou furiosa perseguição (a quinta) aos Cristãos. São Zefirino foi heróico na confiança em Deus e no conforto aos fiéis. "O sangue dos mártires é semente de novos cristãos" (Semen est sanguis Christianorum), exclamava Tertuliano, numa afirmativa inabalável até a consumação dos séculos. Restituída a paz, morto Severo. (Todos os perseguidores possam...) Zefirino empenhou-se em livrar a Igreja da heresia montanista, que reprovava ao Papa o perdão aos relapsos arrependidos... Veio a Roma a grande Orígenes, o fenômeno intelectual de seu século. Não se sabe ao certo se Zefirino foi martirizado; sua festa é celebrada em 26 de agosto e seu túmulo está junto ao de São Tarcísio.

SÃO BENTO I (574 - 578) - 7 DE JULHO
Após a morte de João III a Sé Romana ficou vaga por mais de dez meses: a invasão dos Longobardos, que traziam a ferro e fogo o norte e o centro da Itália, impedia a paz e tranqüilidade em Roma para a eleição do novo pontífice. Além disso vigorava o costume de se apresentar o nome do candidato ao imperador de Constantinopla, que era então o único sustentáculo humano do pontificado. Qualquer comunicação, porém, com Bizâncio, estava impedida pelo assédio dos novos e terríveis bárbaros. Assim mesmo foi eleito, de acordo com o que nos conta o Liber Pontificalis: "Bento, nativo de Roma, que reinou quatro anos, um mês e vinte e oito dias". Em seu tempo o flagelo da guerra trouxe a praga da fome: "houve tão grande miséria, que muitas fortalezas se renderam aos implacáveis bárbaros, só para haverem um pouco de alimento. Deus teve pena de tanta calamidade e o imperador Justino II fez mandar do Egito muitos navios carregados de trigo. Nessas aflições morreu o venerado pontífice, que foi sepultado na sacristia da basílica de S. Pedro". Há quem relate haver Bento I "morrido de susto ao saber da invasão dos Longobardos". Mais acertado é que haja sucumbido a um colapso, por sentir a miséria do seu povo e as condições aflitivas da indefesa e desesperada Roma. A "Cidade Eterna", grandiosa ou humilhada, foi sempre alvo de carinhoso e paternal afeto dos Sucessores de S. Pedro. Bento I confirmou o V Concílio Constantinoplano de 533, como consta de uma carta de Gregório, por ele nomeado arcediago e que foi mais tarde o papa Gregório Magno. Bento I é festejado como santo no dia 7 de julho.

SÃO GREGÓRIO I MAGNO (590 - 604) - 12 DE MARÇO
Gregório, o Grande, estava bem preparado para ser pontífice. Mente vasta e profunda. Extraordinária energia. De família antiga, era filho do romano Gordiano, que mais tarde ingressou no estado eclesiástico, e da nobre Sílvia, que por sua vez terminou seus dias num retiro em obras pias. Um dos antepassados de Gregório foi o papa São Félix III. Gregório estudara Direito e ocupara altos postos civis. Um dia, deixou tudo; distribuiu sua imensa fortuna aos pobres, vestiu-se de monge e transformou seu palácio em mosteiro. Enviado à corruta Bizâncio, a todos assombrou com suas virtudes e ciência. Eleito papa, foi felicitado com alegria pelo imperador Maurício e pelo povo, tendo algumas pessoas afirmado que viram, nos céus, um anjo embainhando a espada; e realmente a peste declinou até desaparecer. Gregório introduziu a fórmula "Servus servorum Dei" (servo dos servos de Deus), como título dos papas. Gregório com excelente reforma atingiu os bispos, padres, mosteiros, ao cântico (Canto Gregoriano), às funções religiosas (Sacramentário, Estações ou rezas populares, Missal) etc... Foi escritor exímio: 900 cartas, os Diálogos, as Morais de Jó etc... Foi um lutador; em defesa de seu povo e da fé; combateu contra Agilulfo longobardo, contra João Jejuador cismático, contra a simonia, a incontinência, o jogo... Foi apóstolo: enviou o monge Agostinho (Austin), que converteu a Inglaterra ("angeli, non angli"): voltaram ao catolicismo os Visigodos (Espanha); os Longobardos abandonaram o cristianismo; na Córsega e na Sardenha extinguiu-se o paganismo; conseguiu-se a paz entre Oriente e Ocidente. Gregório morreu em 12-3-604. O protestante Gregoróvius chama-o "o maior homem do século".

SÃO BONIFACIO IV (608 - 615) - 5 DE MAIO
Em agosto de 608, dez meses após a morte de Bonifácio III, foi eleito Bonifácio IV, nascido em Valéria e filho de um médico. Governou a Igreja por seis anos em meio à desolação geral deixada pelas inundações, pela fome e pela peste. Roma oferecia um quadro entristecedor. O vasto campo de Marte guardava as ruínas do antigo esplendor da cidade - seus monumentos antigos, que o tempo derruíra ou os Bárbaros arruinaram, jaziam agora enverdinhados pelo musgo. Restava incólume somente um. Era o monumento de Agripa, que por 600 anos resistira às inundações do Tibre, o Panteão, dedicado outrora a outros deuses. O magnífico vestíbulo, com as 16 colunas de granito e capitéis de mármore branco, estava ileso. As armações do teto, com zimbório de 46 metros de diâmetro, formada de traves de bronze dourado, triunfara das intempéries. Bonifácio IV aproveitou esse milagre de arte para transformá-lo em magnífica igreja. "O papa pediu então ao imperador o templo chamado Panteão, dedicando-o a Maria Virgem e todos os Mártires". A nova igreja foi solenemente consagrada em 13 de maio de 609. De lá irradiou-se para todo o mundo cristão a doce veneração por Todos os Santos - festa mais tarde fixada, por Gregório IV, em 1o de novembro. O papa salvou assim o belo monumento da devastação das guerras ou da cobiça de algum nobre a transformá-lo em fria fortaleza. No Oriente os Persas devastaram Jerusalém e arruinaram a igreja do Santo Sepulcro. Essas notícias magoaram profundamente o piedoso Bonifácio, que morreu em maio de 615, venerado como santo.

SÃO ADEODATO I (615 - 618) - 8 DE NOVEMBRO
Adeodato I Deusdedit (dado por Deus), filho de Estevão, nascera provavelmente em Nápoles. No Oriente terminara tragicamente seus dias o cruel imperador Focas; em seu lugar reinava o piedoso Heráclito. No norte da Itália, sob a regência da nobre rainha Teodolinda, o pequeno rei longobardo Adaoldado inspirava tranqüilidade e paz. O nosso pontífice dedicou-se ao cuidado do clero secular, restituindo-lhe os pastos que seu antecessor, discípulo de Gregório Magno, havia conferido aos monges. Não é certo que Adeodato tenha ordenado a celebração de uma segunda missa em cada basílica. A fonte histórica, donde se pode inferir essa ordem, refere-se provavelmente ao ofício litúrgico da tarde. Em agosto de 616 um grande terremoto abalou Roma, seguido de uma epidemia tão violenta que desfigurava horrendamente os cadáveres. O papa desenvolveu extraordinária caridade, a tal ponto que se conservou uma tradição, de ter ele curado os empestados beijando-lhes heroicamente as chagas. Morreu Adeodato em novembro de 618, sendo sepultado na basílica de São Pedro e tendo logo culto de santo. Seu testamento estipulou uma gratificação em prata aos clérigos, costume seguido por outros pontífices. Deste papa conservamos o mais antigo selo (sigilo) pontifical conhecido: uma placa de chumbo, tendo a figura do Bom Pastor com suas ovelhas, com o Alfa e o Ômega, símbolo de Cristo, princípio e fim de todas as coisas. No reverso lê-se: Deusdedit Papa. Embora não conste seu nome em alguns martirológios, Adeodato é festejado como santo em 8 de novembro.

SÃO MARTINHO I (649 - 655) - 12 DE NOVEMBRO
O papa Teodoro morreu sem ter tido tempo de combater o Tipo, edito herético do imperador Constante II. Esse espinhoso dever coube a Martinho, nascido em Todi, na Umbria. O novo papa, de caráter indomável, era profundo conhecedor dos insídios da Corte bizantina, onde residira longos anos como apocrisiário (núncio). Sua eleição não foi submetida ao reconhecimento imperial. Apenas eleito, convocou uma reunião de 150 bispos, os quais, apoiados nas decisões dos cinco primeiros maiores concílios, condenaram os editos heréticos Ektésis e Tipo, dos imperadores Heráclio e Constante II. A esperada reação bizantina foi brutal. Constante enviou um seus comissário, Olímpio, para matar o papa. Deus, porém, cegou o assassino quando empunhava a arma. Veio então o próprio delegado Calíope, governador de toda a Itália, com muitos soldados. O papa, velho e enfermo, apresentou-se-lhe na igreja de Santa Maria Maior, transportado num leito. O povo gritava: "Excomungado seja quem julgar Papa Martinho capaz de trair sua fé". À noite, porém, e às escondidas, os gregos levaram pelo Tibre preso numa barca o velho papa. Meses e meses viajou ele pelas ilhas do Mediterrâneo, chegando a Constantinopla somente em 645. Julgado em praça pública, manteve sua dignidade. Não reconheceu autoridade em seus juízes. Não respondeu. Foi despido de suas vestes pontificais e, quase desnudo, conduzido acorrentado pelas ruas da cidade. Exilaram-se depois para Criméia, onde então se prendiam os escravos e os assassinos condenados ao mortífero trabalho das minas. De lá São Martinho escreveu aos Romanos duas nobres cartas, em que narra seu martírio causado pelas enfermidades e pelo abandono. Lá morreu em 16-9-655.

SÃO EUGÊNIO I (654 - 657) - 2 DE JUNHO
Faltam-nos dados históricos que elucidam como foi eleito o romano Eugênio, ainda em vida de Martinho, aos 10-8-654. Eugênio havia sido núncio em Constantinopla; conhecia bem as insídias bizantinas. Era homem de grande valor moral e intelectual. O papa Martinho, em sua última carta aos Romanos, faz dele grandes elogios. Atesta o Líber Pontificalis: "Foi benévolo, doce, cheio de mansidão, afável com todos. Favoreceu os pobres, deixando-lhes seus bens, após ter-lhes feito muitas esmolas". Íntegro na fé, teve atritos com os monotelitas. Em 650 o novo patriarca de Constantinopla, Pedro, enviou-lhe, como de costume, o aviso de sua ascensão àquela Sé importante, com sua profissão de fé. Tinha este documento um sentido ambíguo e o papa contemporizou em subscrevê-lo. Influíram na questão os monges de São Máximo, que chegaram ao ponto Maior, enquanto não se rejeitasse o documento bizantino. Receavam os monges que Eugênio, eleito com o beneplácito imperial durante a vida de Martinho, caísse nas tramas de Constantinopla. Eugênio, porém, mostrou-se à altura das circunstâncias, reprovando o erro e mantendo a unidade da fé. Morreu santamente em 2-6-657. Havia cuidado muito dos mosteiros da França. Os Árabes, entretanto, sob o Califa Otmã, arrasaram Alexandria e passaram a fio de espada os habitantes de Cartago, onde o patrício Gregório e sua bela e valente filha pereceram heroicamente na defesa da gloriosa cidade (654); ocuparam Rodes, destruindo o célebre Colosso, cujos destroços, vendidos a um judeu de Edessa, carregaram 900 camelos .

SÃO VITALINO (657 - 672) - 27 DE JANEIRO
Nasceu Vitaliano em Segui, perto de Roma. "Consagrou-se aos estudos sagrados com tal dedicação, que chegou a ser um dos sábios do seu tempo. Aos 25 anos foi elevado ao sacerdócio, havendo-se no ministério de modo exemplar". Seu pontificado assinalou-se logo de início por uma transformação inesperada nas atitudes do imperador Constante, o algaz de São Martinho. Aproximou-se ele do pontífice, sonhando talvez residir na "eterna Roma". O novo eleito enviou a Constantinopla legados, que foram recebidos com grande honras, até pelo patriarca herético Pedro. O espírito conciliativo e caridoso de Vitaliano chegou a receber em Roma a visita do imperador, na esperança de que a idade e o remorso houvessem modificado a índole de Constante. Este, porém, não era sincero. Recebido com festas memoráveis, pois havia 200 anos que Roma não via um imperador, Constante abusou de seus direitos. O ódio de seus súditos, devido às exações, e o remorso de família, por haver trucidado seu irmão Teodósio, fizeram-no mais cruel. Saqueou quanto pôde nas ruínas de Roma. Até as telhas douradas do Panteão já transformado na igreja de Santa Maria ad Martyres, foram levadas. Ao voltar para Bizâncio, morreu na Sicília; durante o banho um escravo esmagou-lhe o crânio com um vaso de bronze roubado em Roma. Seus furtos caíram depois nas mãos dos Sarracenos. Vitaliano ocupou-se com zelo da Inglaterra, escreveu longas cartas à França, à Espanha e ao rei Oswin dos Saxões (Alemanha). Condenou os "monges-andantes", pseudos monges que viviam de esmolas e até de roubos, chamando-os "filhos de Satanás". - Morreu em 27-1-672.

SAO AGATON (678 - 681) - 10 DE JANEIRO
Agaton nasceu em Palermo, na Sicília. Fora, por muitos anos, tesoureiro da Igreja. Pela sua humildade, pelo seu caráter e pela santidade de vida, bem mereceu ocupar o sólio pontifício. Contando com a boa vontade do imperador Pogonato, extinguiu o cisma monotelita. Convocou o VI Concílio Ecumênico em Constantinopla, de novembro de 680 a setembro de 681, o chamado Trulano por se realizar no palácio imperial num salão sob esplêndida cúpula (troullion, trullum). A presidência honorária coube ao imperador e a efetiva aos legados do Papa. Estavam presentes todos os patriarcas, pessoalmente ou por delegados; ao todo 174 conciliares. A grande maioria acolheu as cartas do Papa com palavras de confiança: "O Chefe supremo dos Apóstolos, por seu discípulo e sucessor na mesma sede, ilustrou com suas cartas os mistérios de Deus. Uma confissão escrita pelo dedo de Deus foi-nos dada pela antiga Roma; uma luz esplêndida brilhou-nos do Ocidente. Aqui vemos uma folha escrita, mas foi Pedro quem falou por boca de Agaton". E o imperador repetia: "Pedro falou por boda de Agaton". Uns poucos recalcitrantes pretenderam envolver o nome do papa Honório como monotelita também, mas a maldosa pretensão não vingou. Atestam-nos outras cartas de Agaton, que ele cuidou muito da disciplina nos mosteiros. O arcebispo Vilfrido, injustamente privado de sua sede (York, Inglaterra), recorreu ao papa. Este, convocado um sinodo, reconduz o prelado à sua Sé. Em 680 voltou terrível o flagelo da peste. "Passava o anjo do mal batendo às portas das coisas e, quantos golpes dava, tantas pessoas lá morriam", afirma um cronista, que diz haver passado a epidemia após uma promessa a São Sebastião.

SÃO LEÃO II (682 - 683) - 3 DE JULHO
Em 17-8-682 subiu ao trono Leão II. Tenta-se explicar a demora de sua coroação de dois modos: por se esperar o reconhecimento imperial ou por estar ainda acesa a disputa sobre a atuação do papa Honório na questão monoteísta. No antigo biógrafo (Lib. Pont.) lemos que Leão era siciliano, jovem e forte; reinou dez meses; era eloqüentíssimo, instruído nas escrituras, bom conhecedor das línguas grega e latina, era perito em canto e salmodia. Habituara-se como mestre que fora, à elegância da palavra e à perfeição do estilo. Guiava ao bem e à ciência a sua grei e prodigalizava aos pobres farto socorro espiritual e temporal. Confirmou o VI Conc. Ecumênico, de seu antecessor, e apenas procurou atenuar as acusações feitas ao papa Honório, para conservar a paz com os Orientais. Deu prescrições acerca do "ósculo da paz", de origem antiquíssima, pois os fiéis se beijavam na igreja em sinal de perdão das ofensas. Acolheu com paternal afeto a muitos hereges arrependidos. Obteve do imperador que o delegado não mais influísse na escolha do arcebispo de Ravena, o qual ficou devidamente sujeito a Roma. Venerou de modo especial este papa aos mártires São Sebastião e São Jorge, protetores dos militares. Restaurou a igreja de Santa Bibiana, em que guardou os corpos de São Simplício, de São Faustino e de Santa Beatriz (Viatrix, a que viaja), que jaziam no bosque dos Arvais, famoso no tempo do paganismo. Leão morreu após um célebre eclipse da lua, que, dizem as crônicas, durou toda a noite de Quinta-feira Santa. Festejado como santo em 3 de julho.

SÃO BENTO II (684 - 685) - 8 DE MAIO
Roma foi a pátria de Bento II, consagrado onze meses após a morte de Leão II. A demorada viagem a Constantinopla, a fim de informar o imperador, causava essa irregularidade. Vinham os pontífices lutando contra essa nefasta prepotência imperial. Dela conseguiu Bento II livrar a Igreja. Obteve de Constantino Pogonato um edito, com o qual "o clero e povo de Roma deviam proceder sempre, e sem demora, à eleição e consagração do Papa". Foi realmente uma generosa renúncia de Constantino aos direitos antigos, e ele caiu alegremente em força de seus sentimentos religiosos sinceros. Com o passar dos tempos, porém, seus sucessores tentaram retardar a consagração... O imperador mandou ao papa uns cachos de cabelos de seus filhos Justiniano e Heráclio; segundo o costume, significava que os príncipes eram adotados pelo papa - algo semelhante a um apadrinhamento. Em Roma todos receberam com grande alegria esses sinais de concórdia. Na Páscoa de 685 o papa distribuiu cargos e recompensas a diversas ordens do Clero. Morreu pouco depois, em 8 de maio, ou em 26 de junho. Deixou 30 libras de ouro ao Clero, aos mosteiros, às diaconias e aos mansionários. Eram estes os leigos encarregados do serviço das igrejas, talvez os nossos atuais sacristãos. Bento enviara à Espanha as resoluções do VI Concílio de Toledo e o clero hispânico deu inteiro acatamento ao Papa, embora com palavras altivas, próprias da rudeza e orgulho do povo visigodo. - Bento passara a infância no serviço divino, era versadíssimo nas cerimônias, nas Escrituras e no canto religioso.

SÃO SÉRGIO I (687 - 701) - 8 DE SETEMBRO
"A morte de Conon, houve dois candidatos, Teodoro e Pascoal. Finalmente, por graça de Deus, foi eleito um terceiro, o venerado Sérgio". Assim conta-nos o Lib. Pont. acrescentando que Teodoro reconheceu humildemente o novo papa, enquanto Pascoal se arvorou em antipapa, reclamando o auxílio do delegado de Roma. Este ocupou Roma, não ousou depor Sérgio, estimado pelo povo, mas saqueou as igrejas de seus vasos sagrados e preciosas lâmpadas. Papa Sérgio nasceu na Sicília, de família síria. Viera jovem para Roma, onde se impôs por seu agudo engenho. Como papa foi defensor inabalável da fé. Justiniano II reuniu um concílio, o II Trulano, para infirmar o primeiro. Sérgio rejeitou energicamente essa intromissão. Justiniano então mandou, com tropas, o seu cortesão Zacarias, homem cruel e temido, para que levasse preso o papa a Constantinopla. O povo romano, porém levantou-se em armas. Zacarias viu-se derrotado e perdido, chegando a esconder-se sob o leito do papa, que lhe salvou a vida da fúria dos populares. Meses depois (695), em Bizâncio, o iníquo imperador era deposto numa sedição militar e levado ao hipódromo, onde barbaramente lhe deceparam o nariz e as orelhas. Em 689 veio a Roma para ser batizado Cadual, rei dos Saxões, e em 696 o papa consagrou o bispo inglês São Vilibrordo, apóstolo da Frísia. Roma tornava-se, cada vez mais, a meta de peregrinações. Papa Sérgio instituiu procissões para as quatro principais festas de Maria Santíssima: Natividade, Anunciação, Purificação e Assunção (chamada dormítio, sono). Mandou também que se cantasse o Agnus Dei na Missa. É festejado São Sérgio I em 8 de setembro.

SÃO ZACARIAS (741 - 752) - 22 DE MARÇO
Zacarias, eleito quatro dias após a morte de S. Gregório III, foi o último papa sírio-gego. De sólidas virtudes, vasta ciência, foi habilíssimo nos negócios do governo. Era imperador Constantino Coprônimo (coprônimo significa imundo), pior que seu pai Leão Isáurico. Esfacelava-se o império grego na anarquia. Luitprando, rei longobardo, ocupou então Ravena, Benevento, Espoleto, e ambicionava Roma. Mas Zacarias foi ao encontro do rei e o venceu com persuasão, tal, que a lenda enfeitou de milagres (nuvens brilhantes) a viagem do papa. Operava então prodígios de apostolado na Alemanha São Bonifácio, fundador do célebre convento de Fulda. São Zacarias enviou-o como legado a Carlomano, filho de Carlos Martel, no sínodo de Soissons, cujas leis foram reconhecidas pelo Estado. Em 747 Carlomano fez-se monge em Monte Cassino. Lá foi encontrá-lo Ratchis, antigo rei longobardo, que também se fez monge, enquanto sua esposa Tásia e sua filha Rotrudes encerravam-se num convento. O papa Zacarias, comovido, benzeu as vestes monacais a tantos príncipes. Carlomano passou a cuidar das cabras e Ratchis da vinha. Os francos, seguindo o costume dos bárbaros, elevaram nos escudos a Pepino, irmão de Carlomano e o fizeram rei. Zacarias, para bem da nação, confirmou o novo rei, que São Bonifácio coroou. Unidos fizeram-se fortes os francos, garantia da ordem cristã da civilização na Europa. O papa Zacarias cuidou dos arquivos da Igreja, trabalho precioso para o futuro. Cuidou da agricultura. Beneficiou muito a abadia de Monte Cassino. Morreu com fama de santidade em 14-3-752.

SÃO PAULO I (757 - 767) - 28 DE JUNHO
Paulo I era irmão de Estevão II. Pela primeira vez temos dois irmãos papas. No século XI encontraremos outro caso: Bento VIII e João XIX. Eleito, Paulo escreveu logo ao rei Pepino, dos Francos, comunicando sua nomeação "por unânime escolha do povo". Pepino respondeu com palavras encomiásticas e lhe enviou um cacho de cabelos de sua filhinha Gisela, irmã do futuro Carlos Magno, pedindo ao Papa que aceitasse ser padrinho da pequena princesa. Os duques e condes romanos acolheram com entusiasmo a protecão do rei franco, que de longe os deixava tranqüilos sob o governo pontifício e lhes era uma garantia contra a barbárie dos Longobardos. O novo rei destes, Desidério, saqueava as cidades e talava os campos. A ele se aliaram os Bizantinos, e a devastação foi enorme. Paulo I deu provas de grande habilidade e muita paciência, conseguindo abrandar Desidério. O grego Constantino Coprônimo, valente só em destruir as imagens, espalhava boatos de terríveis esquadras e ingentes exércitos que estava preparando para ocupar Roma. Paulo I celebrizou-se por sua caridade sem alarde. Visitava à noite os cárceres, libertando, com seu direito de indulto, os condenados à morte. Fazia pagar às escondidas os débitos dos que jaziam presos por insolvência, e colocar víveres e roupas à porta das casas dos pobres. Em 761 fundou com monges gregos o convento de São Silvestre, ainda hoje existente no local dos antigos e famosos jardins de Lúculo. Terminou a capela de Santa Petronila (erroneamente tida como filha de São Pedro), iniciada por seu irmão, e chamada capela dos reis francos. São Paulo I morreu em 28-6-767.

SÃO LEÃO III (795 - 816) - 12 DE JUNHO
Leão III, romano, cardeal de Santa Susana, era filho de Azúpio. Eleito um dia após a morte de Adriano I, com agrado geral. Enviou a Carlos Magno as chaves de São Pedro e a bandeira do patriciado. Por querer reprimir abusos do partido aristocrático, foi atacado numa procissão de São Marcos e tratado brutalmente. Pretenderam arrancar-lhe a língua e os olhos. Salvo pelo duque Vinichi, fugiu para a Alemanha, onde foi recebido com grandes honras no acampamento de Carlos Magno, então em guerra contra os Saxões. O exército todo dobrou três vezes os joelhos ante o martirizado pontífice. O atentado de Roma comoveu toda a Cristandade. Uma comitiva de bispos e nobres, chefiados pelo rei Pepino, filho de Carlos, reconduziu a Roma o papa, acolhido festivamente em toda a parte. Leão reprovou a heresia adocionista de Elipando e Félix, este, bispo de Urgel na Espanha. No ano 800 Carlos Magno desceu novamente à Itália. Em São Pedro, a pedido do papa, reuniu-se um concílio para acolher as acusações contra o mesmo Leão, mas ninguém ousou julgá-lo. Seus detratores, condenados à morte, tiveram a pena comutada para exílio em Bizâncio (a maravilhosa cidade), a pedido de Leão. Na noite de Natal de 800, Leão coroou Carlos Magno, imperador do Oriente - fato importantíssimo na História. Em 808 Leão acolheu Ardurio, rei de Northumberland, na Inglaterra, que pode reaver seu trono. Leão confortou Carlos Magno em seus tristes últimos anos, em que o grande imperador perdeu vários filhos. O restaurador do Império Romano do Ocidente morreu, aos 71 anos em 28-1-814 e Leão, em 12-6-816. Surgia então no Oriente a controvérsia dogmática sobre o Filioque - O Espírito Santo procede do Pai e do Filho.

SÃO PASCOAL I (817 - 824) - 11 DE FEVEREIRO
Pascoal, romano, filho de Bonoso, eleito dois dias após a morte de Estevão IV. Muito erudito, conhecia bem as Escrituras, as leis canônicas. Piedoso e de imensa caridade. "Tudo o que possuía, dava-o aos pobres". Com os monges insistia muito na observância do jejum, das vigílias, dando ele mesmo o exemplo. "Sempre abençoado pelos peregrinos, que ocorriam numerosos a Roma". Em seu tempo começou a ser usado oficialmente o título de Cardeal. Sofreu desgostos com a Corte dos Francos. Em 822 o imperador Ludovico associou a si o filho Lotário. Rebelaram-se os outros príncipes. Bernardo, sobrinho do imperador, foi vencido, cegado e morto. O papa levantou a voz contra tanta crueldade (embora comum nessa época) e Ludovico, mais tarde, fez penitência pública. Em Roma o partido dos nobres, aproveitando-se da guerra civil, tumultuou. Foram cegados e mortos dois partidários de Lotário. O sepultamento de Pascoal, falecido na primavera de 824, retardou-se por causa desses tumultos. No Oriente, no Natal de 820, o iconoclasta Leão, o Armênio, perecia assassinado, na igreja, por inimigos que ele condenara à morte. Morreu defendendo-se desesperadamente com um grande Crucifixo, ele (ironia!) que em vida fizera destruir tantas imagens!... O santo pontífice Pascoal I reedificou a basílica de Santa Cecília. Num sonho viu a Santa indicando-lhe o local onde se encontrava seu corpo, nas catacumbas. Pascoal achou-o envolto em panos bordados a ouro, junto ao corpo de São Valeriano, o jovem mártir esposo de Santa Cecília.

SÃO LEÃO IV (847 - 855) - 17 DE JULHO
Leão IV, romano, era cardeal dos Santos Quatro Coroados. De grandes virtudes e ciência. Foi consagrado sem grandes festas, devido à urgência em se acudir à invasão dos Sarracenos, que voltavam a novo saque de Roma. Ao apelo de Leão correram ao Tibre as tropas de Nápoles, Amalfi e Gaeta, ajudando a derrotar os temíveis muçulmanos. Um grande incêndio, que se seguiu a um terremoto, ameaçou destruir Roma, havendo cenas impressionantes. Mais tarde o grande pintor Rafael imortalizou o milagre, atribuindo a São Leão IV, de haver extinto o fogo com o sinal da cruz, como também pintou o quadro da vitória sobre os Sarracenos. Em quatro anos, Leão realizou um projeto gigantesco: edificou a fortificada cidade Leonina, uma parte de Roma encerrada atrás de poderosos muros que abrigavam a igreja de S. Pedro também. Reedificou Óstia, Porto, Civitavecchia e outras cidades. Restaurou igrejas, embelezando-as com preciosas obras de arte. Em 850 Luís II foi pelo papa coroado imperador do Ocidente, em Roma, para ser ungido, o rei Etewulf com seu filho Alfredo, o futuro grande rei da Inglaterra. Permaneceram um ano na cidade papal e reergueram ali a colônia dos Anglo-Saxões. O jovem príncipe guardou sempre vivíssimas impressões de Roma. Em 17-7-855 morreu Leão IV, verdadeiro herói de dedicação patriótica e religiosa. "A Igreja deu-lhe a coroa dos Santos e até os inimigos do papado, sem excetuar-se Voltaire, não puderam recusar-lhe o tributo de seus louvores e de sua admiração".

SÃO NICOLAU I O GRANDE (858 - 867) - 13 DE NOVEMBRO
Belo homem, física e moralmente, o romano Nicolau. Eleito por aclamação. Fugiu da assembléia, voltando trazido pelo povo em cortejo triunfal, acompanhado pelo imperador Ludovico II, então em Roma. Nicolau foi "o grande lutador". Dominou as autoridades de Ravena que, em assunto religioso, pretendiam independência de Roma. Lutou em defesa de Inácio, patriarca de Constantinopla, que condenara o casamento ilegal do tirano Bardas e a tentativa de Miguel III de internar num convento a própria mãe Teodora com as filhas. Teodora, quando regente, terminara a questão iconoclasta (Festa da Ortodoxia, 842). Miguel III então depôs Inácio e elevou em seu lugar o ambicioso Fácio, um leigo eruditíssimo. Os legados do papa deixaram-se enganar por Fácio, e Nicolau excomungou-os, reunindo então um concílio para defesa da fé e da disciplina. Recebeu na Igreja os Búlgaros, cujo rei Bóris enviou a Roma o próprio filho. O papa ministrou-lhes conselhos e leis que são um monumento de sabedoria. No Ocidente, árdua foi a luta: O rei Lotário II, para se casar com uma dama da corte, Valdrada, expulsou a esposa Teutberga. Esta recorreu ao pontífice, o qual, apesar de cercado pelos exércitos imperiais, abrigou Lotário, sob excomunhão, a receber a legítima esposa. Recebeu Nicolau a Dinamarca, convertida por Santo Ansgário e os Eslavos, pelo zelo dos irmãos São Cirilo e São Metódio, verdadeiros iniciadores da literatura eslava. Nicolau morreu em 13-11-867, coroado de imensas vitórias como homem, como rei e como papa.

SÃO GREGÓRIO VII (1073 - 1085) - 25 DE MAIO
Hildebrando, um dos maiores papas, um dos vultos mais eminentes da História. Nasceu (1020) em Soana, perto de Siena. Pobre, filho do carpinteiro Bonizone. Estudou no mosteiro de Aventino. Foi seu mestre João Graciano, o futuro Gregório VI, a quem Hildebrando acompanhou no desterro, e em cuja memória, agradecido, se chamou Gregório VII. Esteve em Cluny e se deixou guiar pelo espírito beneditino desse mosteiro. Cinco papas tiveram-no por precioso auxiliar; e os cardeais e o imperador não elegiam pontífice sem sua opinião. Cônscio de sua responsabilidade e de seu caráter, Hildebrando recusou firmemente sua elevação. Ordenado sacerdote e consagrado bispo (era só diácono) em 30-6-73, mostrou-se Pontífice e Rei, afirmando "o império universal da lei de Cristo". Combateu o mau clero e os maus soberanos. Impediu que a Igreja se "feudalizasse". Tratou com todos os príncipes de seu tempo. Sonhou uma Liga Cristã, que libertasse a Palestina. O rei Henrique IV da Alemanha insistia em nomear bispos (questão das investiduras). Foi excomungado e, para não perder o trono, atravessou os Alpes num duro inverno, correu ao castelo de Conossa, onde o papa se refugiara, e implorou um perdão que o salvou de seus duques revoltados. O rei, insincero, moveu depois guerra implacável a Gregório e à valente Condessa Matilde de Conossa, que impedia a passagem às tropas imperiais. Nomeou um antipapa, Guiberto de Ravena, com o nome de Clemente III pelo qual foi sagrado imperador. Tomou Roma, menos Castelo Santo Ângelo, onde Gregório se defendeu até ser libertado por Roberto Guiscardo (1084). O grande Papa morreu em Salerno. Suas últimas palavras: "Amei a justiça e odiei a iniqüidade, por isso morro no exílio".

SÃO CELESTINO V (1294) - 19 DE MAIO
As lutas entre os Orsini e os Colonna, as epidemias e outros males, afugentaram de Roma os cardeais eleitores, por 27 meses. Afinal o velho cardeal Latino mostrou aos colegas as cartas de um piedoso eremita, que os ameaçava com os castigos divinos se deixassem a Igreja sem Pastor por mais tempo! Esse eremita chamava-se Pedro Morrone. Foi ele escolhido por unanimidade para papa. Era um asceta, fundador de monges. Uma vistosa procissão foi buscá-lo ao seu áspero retiro nos montes. O velho eremita, de 72 anos, em sua mísera e gloriosa túnica, foi trazido em brilhante montaria, cujas rédeas eram seguras por dois reis: Carlos II de Anju e seu filho! Coroado em agosto, chamou-se Celestino V. O santo homem, porém, não se adaptava ao cargo, que aceitara sob o temor de contrariar a vontade de Deus. Deixou-se iludir pelo rei de Nápoles, nomeou 13 cardeais indicados pelo rei, prodigalizou privilégios e cargos. Assustado, depôs em público consistório, nas mãos de seus eleitores, o elevado encargo. Fugiu depois humildemente para as penedias desertas de Morrone, onde fôra tão feliz. Seu sucessor, porém, Bonifácio VIII, temendo muito justamente que o santo, mas desavisado monge, fosse utilizado pelos autores de desordens, mandou encerrá-lo com alguns de seus frades no convento de Monte Fumone. Os inimigos de Bonifácio, os que pretendiam aproveitar-se da inexperiência do santo eremita, acusaram a seu sucessor dos maiores crimes contra o inócuo Celestino, que morreu em 19-5-96 e foi sepultado em Aquila. Seu epitáfio diz bem: "colocado no mais alto trono da terra por imprudência dos eleitores, voltou ao pó que o vento eleva aos céus pelo mérito de sua retidão e humildade". São Celestino V foi canonizado por Clemente V em 5-5-1313.

SÃO LEÃO IX (1048 - 1054) - CONFESSOR - 19 DE ABRIL
A morte rápida dos últimos pontífices assustou os bispos alemães, aos quais o imperador Henrique III oferecera o pontificado. Na dieta de Worms foi afinal indicado Bruno, bispo de Toul, alemão da família dos Condes de Nordgau. Chamou-se Leão IX, porque as listas contavam o nome do antipapa Leão VIII do ano 965. Tinha 46 anos de idade e era muito estimado em sua diocese como homem culto, piedoso e prudente. Protestou que só aceitaria o alto posto, se os romanos, clero e povo, confirmassem sua indicação. Fez mais: partiu para Roma em vestes de peregrino, acompanhado pelo monge Hildebrando (mais tarde o grande Gregório VII). Chegou a Roma em 2-2-1049, no inverno, com estupefação do povo ante a novidade de um papa vindo a pés descalços, com o bordão humilde de romeiro. Iniciou logo a renovação da disciplina eclesiástica, coibindo os abusos da simonia e clerogamia. Realizando sínodos percorreu a França, a Alemanha e a Itália, às vezes acompanhado pelo imperador, indo até Presburgo levar a paz aos Húngaros e Alemães em guerra. No sul da Itália os Normandos, sob o comando de Guilherme Braço de Ferro, tornavam-se prepotentes. Leão guerreou-os, mas foi derrotado e preso. São Pedro Damião atribuiu essa derrota a uma "repreensão divina" ao papa que fora ao teatro da guerra. Os guerreiros normandos, porém, ajoelharam-se ante o Pontífice e o trataram com tanta veneração, que se tornaram defensores da Santa Sé e juraram combater os Sarracenos. No Oriente apareceu Miguel Cerulário (fabricante de cera), grosseiro patriarca de Constantinopla, que renovou o cisma de Fócio, sem ter um mínimo do valor intelectual daquele hábil filósofo. Leão morreu em 19-4-1054.

SÃO PIO V (1566 - 1572) - CONFESSOR - 5 DE MAIO
Num excelente conclave 53 cardeais elegeram o piedoso dominicano Miguel Ghislieri, nascido aos 17-1-1504 em Boscomarengo (Alexandria). Chamou Pio V, em sinal de respeito ao seu antecessor, do qual divergira outrora em sua habitual franqueza. Fôra Geral da Inquisição, bispo de Sutri e Nepi, e cardeal sob Paulo IV. Abraçando o são princípio de que o Concílio de Trento devia reformar a Igreja "na cabeça e nos membros", levou vida rígida e santa. Dormia sobre pobres palhas, jejuava freqüentemente; afastou de Roma, sob pena de morte, um seu sobrinho relapso. Aboliu costumes mundanos de funcionários da sua Cúria. Proibiu em Roam as touradas e o uso de máscaras. Dava audiência semanal de dez horas à gente pobre. Fundou os montepios, para subtrair os pobres à usura dos Judeus. Abriu estradas, reformou aquedutos. Mandou trazer e difundir o Catecismo Tridentino. Reformou o Breviário e o Missal romanos. - Abençoou os príncipes favoráveis à reforma tridentina. Concedeu a Cosme de Médici, da Toscana, o título de Grão Duque, e aos príncipes da Casa de Áustria (para não suscitar ciúmes), o de Arquiduques... Insistiu sobre o valor da bula "In coena Domini", que condenava os crimes dos soberanos e era por eles mal aceita. Excomungou a rainha Isabel da Inglaterra, que impunha o cima à nação e cujo governo perseguia cruelmente os católicos, espoliando-os de seus bens materiais e de seus direitos à prática de sua religião. - Uniu os católicos na gloriosa vitória de Lepanto (7-10-71), dos 243 navios sob D. João de Áustria contra os 283 dos muçulmanos. Em oração, São Pio teve visão da batalha; acrescentou às Ladainhas de Nossa Senhora a invocação "Auxilium Chistianorum". Morreu em 1-5-1572.

2005 - ??? : Bento XVI (Joseph Ratzinger)

1978 - 2005: João Paulo II (Karol Woityla)
1978 - 1978: João Paulo I (Albino Luciani)
1963 - 1978: Paulo VI (Giovanni Battista Montini)
1958 - 1963: João XXIII (Angelo Giuseppe Roncalli)
1939 - 1958: Pio XII (Eugenio Pacelli)
1922 - 1939: Pio XI (Achille Ratti)
1914 - 1922: Bento XV (Giacomo Marchese della Chiesa)
1903 - 1914: Pio X (Giuseppe Sarto)
1878 - 1903: Leão XIII (Giocchino Vincenzo de Pecci)
1846 - 1878: Pio IX (Giovanni Conte Mastai-Ferretti)
1831 - 1846: Gregório XVI (Bartolomeo Cappellari)
1829 - 1830: Pio VIII (Francesco Saverio Castiglioni)
1823 - 1829: Leão XII (Annibale della Genga)
1800 - 1823: Pio VII (Luigi Barnaba Chiaramonti)
1775 - 1799: Pio VI (Giovanni Angelo Conte Braschi)
1769 - 1774: Clemente XIV (Lorenzo Ganganelli)
1758 - 1769: Clemente XIII (Carlo Rezzonico)
1740 - 1758: Bento XIV (Prospero Lambertini)
1730 - 1740: Clemente XII (Lorenzo Corsini)
1724 - 1730: Bento XIII (Pietro Francesco Orsini)
1721 - 1724: Inocêncio XIII (Michelangelo Conti)
1700 - 1721: Clemente XI (Giovanni Francesco Albani)
1691 - 1700: Inocêncio XII (Antonio Pignatelli)
1689 - 1691: Alexandre VIII (Pietro Ottoboni)
1676 - 1689: Inocêncio XI (Benedetto Odescalchi)
1670 - 1676: Clemente X (Emilio Altieri)
1667 - 1669: Clemente IX (Giulio Rospigliosi)
1655 - 1667: Alexandre VII (Fabio Chigi)
1644 - 1655: Inocêncio X (Giambattista Pamphili)
1623 - 1644: Urbano VIII (Maffeo Barberini)
1621 - 1623: Gregório XV (Alessandro Ludovisi)
1605 - 1621: Paulo V (Camillo Borghesi)
            1605: Leão XI (Alessandro Ottaviano de Medici)
1592 - 1605: Clemente VIII (Ippolito Aldobrandini)
1591 - 1592: Inocêncio IX (Giovanni Antonio Facchinetti)
1590 - 1591: Gregório XIV (Niccolo Sfondrati)
            1590: Urbano VII (Giambattista Castagna)
1585 - 1590: Sisto V (Felici Peretti)
1572 - 1585: Gregório XIII (Ugo Boncompagni)
1566 - 1572: Pio V (Michele Ghislieri)
1559 - 1565: Pio IV (Giovanni Angelo de Medici)
1555 - 1559: Paulo IV (Gianpetro Caraffa)
            1555: Marcelo II (Marcelo Cervini)
1550 - 1555: Júlio III (Giovanni Maria del Monte)
1534 - 1549: Paulo III (Alessandro Farnese)
1523 - 1534: Clemente VII (Giulio de Medici)
1522 - 1523: Adriano VI (Adriano de Utrecht)
1513 - 1521: Leão X (Giovani de Medici)
1503 - 1513: Júlio II (Giuliano della Rovere)
            1503: Pio III (Francesco Todeschini-Piccolomini)
1492 - 1503: Alexandre VI (Rodrigo de Bórgia)
1484 - 1492: Inocêncio VIII (Giovanni Battista Cibo)
1471 - 1484: Sisto IV (Francesco della Rovere)
1464 - 1471: Paulo II (Pietro Barbo)
1458 - 1464: Pio II (Enea Silvio de Piccolomini)
1455 - 1458: Calisto III (Alfonso de Bórgia)
1447 - 1455: Nicolau V (Tomaso Parentucelli)
1431 - 1447: Eugênio IV (Gabriel Condulmer)
1417 - 1431: Martinho V (Odo Colonna)
1410 - 1415: João XXIII (Baldassare Cossa>
1409 - 1410: Alexandre V (Pedro Philargi de Candia)
1406 - 1415: Gregório XII (Angelo Correr)
1404 - 1406: Inocêncio VII (Cosma de Migliorati)
1389 - 1404: Bonifácio IX (Pietro Tomacelli)
1378 - 1389: Urbano VI (Bartolomeo Prignano)
1370 - 1378: Gregório XI (Pedro Rogerii)
1362 - 1370: Urbano V (Guillaume de Grimoard)
1352 - 1362: Inocêncio VI (Etienne Aubert)
1342 - 1352: Clemente VI (Pierre Roger de Beaufort)
1334 - 1342: Bento XII (Jacques Fournier)
1316 - 1334: João XXII (Jacques Duèse)
1305 - 1314: Clemente V (Bertrand de Got)
1303 - 1304: Bento XI (Nicolau Boccasini)
1294 - 1303: Bonifácio VIII (Bento Gaetani)
            1294: Celestino V (Pietro del Murrone)
1288 - 1292: Nicolau IV (Girolamo Masei de Ascoli)
1285 - 1287: Honório IV (Giacomo Savelli)
1281 - 1285: Martinho IV (Simão de Brion)
1277 - 1280: Nicolau III (Giovanni Gaetano Orsini)
1276 - 1277: João XXI (Pedro Juliani)
            1276: Adriano V (Ottobono Fieschi)
            1276: Inocêncio V (Pedro de Tarantasia)
1271 - 1276: Gregório X (Teobaldo Visconti)
1265 - 1268: Clemente IV (Guido Fulcodi)
1261 - 1264: Urbano IV (Jacques Pantaleon de Troyes)
1254 - 1261: Alexandre IV (Reinaldo, conde de Segni)
1243 - 1254: Inocêncio IV (Sinibaldo Fieschi)
            1241: Celestino IV (Gaufredo Castiglione)
1227 - 1241: Gregório IX (Hugo, conde de Segni)
1216 - 1227: Honório III (Censio Savelli)
1198 - 1216: Inocêncio III (Lotário, conde de Segni)
1191 - 1198: Celestino III (Jacinto Borboni-Orsini)
1187 - 1191: Clemente III (Paulo Scolari)
            1187: Gregório VIII (Alberto de Morra)
1185 - 1187: Urbano III (Humberto Crivelli)
1181 - 1185: Lúcio III (Ubaldo Allucingoli)
1159 - 1180: Alexandre III (Rolando Bandinelli de Siena)
1154 - 1159: Adriano IV (Nicolau Breakspeare)
1153 - 1154: Anastácio IV (Conrado, bispo de Sabina)
1145 - 1153: Eugênio III (Bernardo Paganelli de Montemagno)
1144 - 1145: Lúcio II (Gherardo de Caccianemici)
1143 - 1144: Celestino II (Guido di Castello)
1130 - 1143: Inocêncio II (Gregorio de Papareschi)
1124 - 1130: Honório II (Lamberto dei Fagnani)
1119 - 1124: Calisto II (Guido de Borgonha, arcebispo de Viena)
1118 - 1119: Gelásio II (João de Gaeta)
1099 - 1118: Pascoal II (Rainério, monge de Cluny)
1088 - 1099: Urbano II (Odo, cardeal-bispo de Óstia)
1086 - 1087: Vítor III (Desidério, abade de Monte Cassino)
1073 - 1085: Gregório VII (Hildebrando, monge)
1061 - 1073: Alexandre II (Anselmo de Baggio)
1058 - 1061: Nicolau II (Geraldo de Borgonha, bispo de Florença)
1058 - 1059: Bento X (João de Velletri)
1057 - 1058: Estevão IX (Frederico, abade de Monte Cassino)
1055 - 1057: Vítor II (Geraldo de Hirschberg)
1049 - 1054: Leão IX (Bruno, conde de Egisheim-Dagsburg)
            1048: Dâmaso II (Poppo, conde de Brixen)
1046 - 1047: Clemente II (Suidgero de Morsleben)
1045 - 1046: Gregório VI (João Graciano Pierleone)
1033 - 1046: Bento IX (Teofilato de Túsculo)
1024 - 1032: João XIX (conde de Túsculo)
1012 - 1024: Bento VIII (conde de Túsculo)
1009 - 1012: Sérgio IV (Pietro Buccaporci)
1003 - 1009: João XVIII (João Fasano de Roma)
            1003: João XVII (Giovanni Sicco)
  999 - 1003: Silvestre II (Gerberto de Aurillac)
    996 - 999: Gregório V (Bruno de Carínthia)
    985 - 996: João XV (?)
    983 - 984: João XIV (Pedro Canipanova)
    974 - 983: Bento VII
    972 - 974: Bento VI
    965 - 972: João XIII (João de Nardi)
              964: Bento V
    963 - 965: Leão VIII
    955 - 964: João XII
    946 - 955: Agapito II
    942 - 946: Marino II (ou Martinho III)
    939 - 942: Estevão VIII
    936 - 939: Leão VII
    931 - 935: João XI
    928 - 931: Estevão VII
              928: Leão VI
    914 - 928: João X (João de Tossignano, arcebispo de Ravena)
    913 - 914: Lando
    911 - 913: Anastácio III
    904 - 911: Sérgio III
    903 - 904: Cristovão
              903: Leão V
    900 - 903: Bento IV
    898 - 900: João IX
              897: Teodoro II
              897: Romano
    896 - 897: Estevão VI
              896: Bonifácio VI
    891 - 896: Formoso
    885 - 891: Estevão V
    884 - 885: Adriano III
    882 - 884: Marino I (ou Martinho II)
    872 - 882: João VIII
    867 - 872: Adriano II
    858 - 867: Nicolau I
    855 - 858: Bento III
    847 - 855: Leão IV
    844 - 847: Sérgio II
    827 - 844: Gregório IV
              827: Valentim
    824 - 827: Eugênio II
    817 - 824: Pascoal I
    816 - 817: Estevão IV
    795 - 816: Leão III
    772 - 795: Adriano I
    768 - 772: Estevão III
    757 - 767: Paulo I
    752 - 757: Estevão II
              752: Estevão [II] (pontificado de apenas 4 dias)
    741 - 752: Zacarias
    731 - 741: Gregório III
    715 - 731: Gregório II
    708 - 715: Constantino
              708: Sisínio
    705 - 707: João VII
    701 - 705: João VI
    687 - 701: Sérgio I
    686 - 687: Cônon
    685 - 686: João V
    683 - 685: Bento II
    682 - 683: Leão II
    678 - 681: Agatão
    676 - 678: Dono
    672 - 676: Adeodato II (ou Deusdedite II)
    657 - 672: Vitaliano
    654 - 657: Eugênio I
    649 - 655: Martinho I
    642 - 649: Teodoro I
    640 - 642: João IV
    638 - 640: Severino
    625 - 638: Honório I
    619 - 625: Bonifácio V
    615 - 618: Adeodato I (ou Deusdedite I)
    608 - 615: Bonifácio IV
    606 - 607: Bonifácio III
    604 - 606: Sabiniano
    590 - 604: Gregório I Magno
    579 - 590: Pelágio II
    575 - 579: Bento I
    561 - 574: João III
    556 - 561: Pelágio I
    537 - 555: Vigílio
    536 - 537: Silvério
    535 - 536: Agapito (ou Agapeto)
    533 - 535: João II
    530 - 532: Bonifácio II
    526 - 530: Félix III
    523 - 526: João I
    514 - 523: Hormisdas
    498 - 514: Símaco
    496 - 498: Anastácio II
    492 - 496: Gelásio I
   483 - 492: Félix II
   468 - 483: Simplício
   461 - 468: Hilário (ou Hilaro)
   440 - 461: Leão I Magno
   432 - 440: Sisto III
   422 - 432: Celestino
   418 - 422: Bonifácio I
   417 - 418: Zózimo
   402 - 417: Inocêncio I
   399 - 402: Anastácio I
   384 - 399: Sirício
   366 - 384: Dâmaso I
   352 - 366: Libério
   337 - 352: Júlio I
             336: Marcos
   314 - 335: Silvestre I
   310 - 314: Melcíades
   308 - 310: Eusébio
   307 - 309: Marcelo I
   296 - 304: Marcelino
   282 - 296: Caio
   274 - 282: Eutiquiano
   268 - 274: Félix I
   260 - 268: Dionísio
   257 - 258: Sisto II
   254 - 257: Estevão I
   253 - 254: Lúcio I
   251 - 253: Cornélio
   236 - 250: Fabiano
   235 - 236: Antero
  230 - 235: Ponciano
  222 - 230: Urbano I
  217 - 222: Calisto I
  199 - 217: Zeferino
  189 - 199: Vítor I
  174 - 189: Eleutério
  166 - 174: Sotero
  154 - 165: Aniceto
  143 - 154: Pio I
  138 - 142: Higino
  125 - 138: Telésforo
  116 - 125: Sisto I
  107 - 116: Alexandre I
  101 - 107: Evaristo
    90 - 101: Clemente I
      79 - 90: Anacleto (ou Cleto)
      64 - 79: Lino
      33 - 64: Pedro Apóstolo

FUNDAMENTO  BÍBLICO

JESUS PROMETE FAZER DE PEDRO O PRIMEIRO PAPA: (Mateus 16, 13-19) Chegando à região de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: "Quem as pessoas dizem que é o Filho do homem?" Eles responderam: "Alguns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas". Então ele perguntou-lhes: "E vós, quem dizeis que eu sou?" Simão Pedro respondeu: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo". Em resposta, Jesus disse: "Feliz és tu, Simão filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue quem te revelou isso, mas o Pai que está nos céus. E eu te digo: Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja e as portas do inferno nunca levarão vantagem sobre ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus, e tudo que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo que desligares na terra será desligado nos céus".  

NEGAÇÃO DE PEDRO: (Mateus 26, 69-75) Enquanto isso, Pedro estava sentado lá fora, no pátio. Uma criada aproximou-se dele e disse: "Tu também estavas com Jesus, o Galileu". Mas ele negou diante de todos, dizendo: "Não sei o que dizes". Mas, ao sair em direção à porta, outra criada o viu e disse aos que lá estavam: "Este homem estava com Jesus, o Nazareno". E de novo ele negou com juramento que não conhecia o homem. Pouco depois, os que ali estavam chegaram perto dele e disseram: "De fato, tu também és um deles, pois teu sotaque te denuncia". Ele então começou a rogar pragas e a jurar que não conhecia o homem. Neste instante o galo cantou. Pedro se lembrou do que Jesus lhe dissera: "Antes que o galo cante, me negarás três vezes". E, saindo para fora, Pedro chorou amargamente.

PEDRO É CONSTITUÍDO PASTOR: (João 21, 15-17) Quando acabaram de comer, Jesus disse a Simão Pedro: "Simão filho de João, tu me amas mais do que estes?" Ele respondeu: "Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo". Jesus disse: "Apascenta os meus cordeiros". Jesus perguntou pela segunda vez: "Simão filho de João, tu me amas? "Pedro respondeu: "Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo". Jesus lhe disse: "Apascenta as minhas ovelhas". Pela terceira vez Jesus perguntou: "Simão filho de João, tu me amas?" Pedro ficou triste por lhe ter perguntado três vezes 'tu me amas?' e respondeu: "Senhor, tu sabes tudo, sabes que eu te amo". Disse-lhe Jesus: "Apascenta as minhas ovelhas".

SÃO PEDRO PREGA SOBRE O AMOR: (1ª Carta de Pedro 3, 8-12) Finalmente, tende todos um mesmo sentir, sede compassivos, fraternais, misericordiosos, humildes. Não pagueis mal com mal nem injúria com injúria. Ao contrário, abençoai, pois fostes chamados para serdes herdeiros da bênção.

SÃO PEDRO PREGA SOBRE A ALEGRIA, MESMO NO SOFRIMENTO: (1ª Carta de Pedro 4, 12-14) Caríssimos, não estranheis o fogo da provação que se produziu entre vós, como se algo de extraordinário vos acontecesse. Deveis alegrar-vos na medida em que participais dos sofrimentos de Cristo, para que na revelação de sua glória possais exultar e alegrar-vos. Felizes sereis vós se pelo nome de Cristo fordes ultrajados, porque o Espírito da glória, que é o Espírito de Deus, repousa sobre vós.

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