10. OS RATOS de Dyonélio Machado
- Modernismo do Brasil
O leiteiro cobra de Naziazeno o atraso no pagamento da conta de leite, cinqüenta e três mil réis, e ameaça a cortar o fornecimento se não receber. Naziazeno sai para tentar arrumar o dinheiro. Seu desespero cresce à medida que o tempo passa e não consegue obter o dinheiro necessário para cumprir a dívida. Tenta obter ajuda do diretor da repartição, mas este nega. Procura seus amigos Duque e Alcides. Com muito custo encontra este último, que também está desprevenido. Alcides sugere consiga dinheiro para jogar no bicho. Pede que Naziazeno cobre para ele uma dívida com um certo Andrade, mas este acaba repassando o compromisso a Mister Rees. Costa Miranda acaba emprestando cinco mil réis. Naziazeno joga o dinheiro na roleta. Chega a ganhar um bom dinheiro, mas procura multiplicá-lo e acaba perdendo. Tenta desesperadamente obter um empréstimo, todavia nada consegue. Naziazeno encontra-se com Alcides num café, onde estão também Duque e um rábula, Mondina. Este nega-se emprestar o dinheiro pedido por Duque para o amigo. Duque sugere que levantem o penhor de um anel de bacharel de Alcides. Depois de várias artimanhas, conseguem passá-lo para Mondina por trezentos mil réis. Naziazeno consegue finalmente arranjar sessenta e cinco mil réis. Naziazeno volta para casa levando leõezinhos de borracha para o filho, manteiga e um quarto de quilo de queijo. Chega mesmo a mandar o menino da vizinha a buscar vinho. Janta. Tenta dormir, mas não consegue. Ouve barulhos de ratos no forro e na cozinha. Pensa que os ratos estão roendo o dinheiro que foi deixado na mesa da cozinha, próximo da panela de leite, para ser encontrado pelo leiteiro. Fica acordado a noite inteira. Finalmente, ouve o barulho do portão, do leite sendo despejado. Depois que a porta se fecha, Naziazeno dorme.