5. O PRIMO BASÍLIO de Eça de Queirós

- Realismo de Portugal

O engenheiro Jorge está casado com a loira Luísa há três anos. Levam uma vida agradavelmente medíocre e sem desassossegos. Têm duas criadas: uma cozinheira, Joana; e uma criada de dentro, Juliana. Esta cuida das roupas, dos quartos e é quem põe a mesa. Vive ressentida com a vida, nutrindo grande ódio pelas patroas. O marido parte a serviço para o Alentejo, deixando a mulher entregue a um grande tédio, que é quebrado pela visita do primo Basílio. Este já tinha sido namorado de Luíza e partira para tentar a sorte. Ficara rico e metido. Agora volta e procura seduzir a prima. Juliana, pressentindo o envolvimento dos dois, fica atenta, até que consegue provas comprometedoras e passa a fazer chantagem com a patroa. Basílio, covardemente, inventa compromissos urgentes e parte. Jorge volta e encontra a mulher muito mudada. É que ela está nervosa porque não sabe o que fazer para conseguir o dinheiro para pagar a chantagem. A tensão aumenta a ponto dela suplicar a ajuda de Sebastião, que procura atemorizar Juliana com a presença de um policial. Ameaçada de prisão, a criada devolve as cartas, sofrendo nesse momento uma parada cardíaca que lhe tira a vida. Abalada com tudo, Luísa adoece gravemente e, durante sua inconsciência, o marido abre uma carta vinda de Paris para ela. Era de Basílio e falava dos encontros no Paraíso. Jorge sofre muito, mas procura conter-se, pois o médico lhe dissera que Luísa não podia ser contrariada. Quando Luísa melhora, insiste com o marido para que lhe diga por que anda tão aborrecido. Ele mostra-lhe a carta, provocando uma nova crise, da qual ela não consegue recuperar-se. Após sua morte, Basílio reaparece em Lisboa e fica sabendo pelo vizinho do que aconteceu. Não demonstra qualquer tipo de abalo. Apenas se queixa ao amigo Reinaldo que, não esperando por isso, não tivera o cuidado de trazer de Paris nenhuma amante para fazer-lhe companhia.