7. RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA
de Lima Barreto
- Pré-Modernismo do Brasil
Isaías Caminha alimenta na infância o sonho de ser um grande homem. Para isso e por isso estuda com afinco, despertando admiração e esperanças em sua professora. Parte para o Rio de Janeiro, decepcionando-se com a grande cidade e a vida que aí encontra. Não retorna ao interior apesar das dificuldades. Luta contra a fome e a discriminação. Sofre muito, mas consegue ocupar o lugar de contínuo em um considerado jornal: O Globo. Da redação pode ver e criticar melhor tanto o jornal quanto o mundo que se agita fora dele, muitas vezes impulsionado pelas idéias que o periódico espalha, como o caso do motim popular provocado pelos protestos jornalísticos contra o projeto de lei que obrigaria todos a usarem sapatos para poder circular pelas ruas do Rio. A sua posição melhora, quando, após o suicídio de um funcionário do jornal, sai à procura do diretor Loberant e o encontra em um prostíbulo, participando de uma orgia. É elevado à condição de repórter, despertando inveja entre os colegas e bajulação entre os que precisam de seus préstimos. Enojado com tudo, sentindo-se alheio a essa vida de falsidades, retira-se da grande cidade, casa-se e leva uma vida simples de escrivão interiorano. Um dia, revoltado com um artigo de uma revista que coloca os negros e mestiços em condição de inferioridade, resolve escrever esse livro que pretende denunciar a discriminação e o preconceito racial.