SENADOR AMARAL
Agora usando a imaginação vamos juntos refazer o mapa da cidade onde nasci. Visualize a Rodovia Fernão Dias de São Paulo a Belo Horizonte. Pronto? Muito Bem!
Saindo de São Paulo até chegar a Belo Horizonte, passamos por Bragança Paulista, Extrema, Itapeva, Camanducaia, Cambuí, Pouso Alegre, Três Corações, etc. Agora, voltemos a Cambuí. De Cambuí a Senador Amaral são apenas 23 km. Basta entrar no Posto Tatita e subir uma estrada de terra em direção a serra. Assim, você passará pelos bairros de Água Comprida, Portão, Serra do Cabral, Policas e, finalmente, Senador Amaral. Continuando viagem, você conhecerá, também, as cidades de Ponte Segura e Bom Repouso. Seguindo em frente, você retornará a Cambuí. Nota-se que Cambuí, Senador Amaral e Bom Repouso formam-se um verdadeiro triângulo no mapa.
Conhecendo Senador Amaral de perto...
Quando terminamos de subir a serra, já percebemos um clima mais frio. Depois descemos uma pequena montanha e já avistamos a cidade. Olhando à direita da estrada, vê-se um campo de futebol. Descendo mais um pouco, passamos por uma ponte. Em seguida, subimos a avenida principal (Avenida José Augusto de Rezende), que nos leva ao centro da cidade. Ao subir essa avenida, temos duas esquinas todas à esquerda: na primeira, temos a rua Juvenal Ferreira, onde havia as casas de Geraldo do Carro, Nem Borges, tio Tonho, João Teixeira e Pedrão; na segunda, entramos na rua Tonico da Cunha, onde subindo por ela temos na seqüência: a casa de Zé Polinário (em frente a casa do José da Conceição), a minha casa (em frente a casa do Lauro), a do meu avô Zé do Quim (em frente à Serralharia do Tomás no terreno do Alcino do Quim), a de Mané Mariano (em frente a casa do Japonês) e a do Dito Juca no fim do morro em frente à do Nenê Agostinho.
Na Praça Zéca Borges, encontramos a Igreja no centro rodeada pelas casas de João Borges, João Toniquinho (que morou na casa de Dito Rosa), Dito da Nísia (marido da professora Dulce), o barbeiro Zé Emiciano, Zé da Dita, Antônio Lopes, Zé Toniquinho(meu padrinho), a Escola Municipal, a venda de João Simeão, Simões (marido da professora Dail), o espanhol Toninho Missasse, Zé Carneiro (marido da minha parteira), Acir do Juca, a farmácia do Vardinho (marido da professora Araci), Casa Paroquial, Chico da Brazilina, o Posto de Gasolina do Dito Santana (marido da Flor), o bar do Tião da Chica, o armazém do Irde e a casa do Dito Chico fechando um círculo na esquina com a casa de João Borges.
Tive vários colegas de infância. Como exemplo, temos a Verinha, o Toninho, o Nil, o Ivan e a Ivone da Chica; o Valdécio, a Valdirene e o Valdir do Vardinho; o Zé Pretinho da Dona Cida; o Amarildo do Japonês; a Conceição, o Zezinho e a Tereza do João Teixeira; o Simeão do Geraldo Carro; o Cidinho do tio Tonho; o Serginho do Pedrão; o Zé Maria e o Wilson do Zé da Dita; o Wilson e o Donizete do Dito Juca; o Muro e o Milo do Irdes; Deusteti do Tião Quinzinho; o Zé Maria e a Janete do Acir; o Ovídio do Zé Teixeira; a Shirley do Arvo Corneta; a Silvana e a Sandra do Otacílio Corneta; a Ivete, a Nei e a Maria José do Chico Toniquinho; a Dinair, a Dinéia, a Déia e a Diva do Zé Carneiro, entre outros.
No final da cidade, seguindo pela rua João Silvério, brilhava uma linda cachoeira, onde sempre me divertia.
O BATISMO
O meu Batismo aconteceu no coração de setembro, justo no ano em que nasci. Realizou-se em Policas, um bairro próximo de Senador Amaral. Nenhuma pedra no meio do caminho, mas mesmo assim, o velho caminhão à manivela enguiçou. No restante da viagem, tínhamos como companheira uma poeira vermelha, subindo com o pisar firme no chão. Meus pais caminhavam e conversavam:
_ Sapateiro, como é pesado o nosso garoto!
_ Calma mulher, faltam apenas alguns quilômetros!
_ Mas, precisamos chegar antes da Missa começar!
_ Mulher, agora eu carrego a criança, por favor, sossega!
Nesta caminhada, havia, também, outras pessoas: as filhas de João Borges (Édna, Dinê e Elzinha) e a Ica, irmã de minha mãe. Durante a viagem elas ajudaram meus pais a me carregar. A tia Ica tornou-se a minha madrinha e a Elzinha me consagrou. Tudo correu bem. Eles chegaram a tempo. Eu fui batizado com o nome que meus pais prometeram ao padre.
Arrumaram uma carona e voltaram a casa felizes. Enfim um careca na família.
A minha irmã mais velha e a caçula morreram durante o parto. Tomei o lugar da irmã caçula; a Fátima, o da mais velha. E no meio, aparece Tereza sem beira e rabeira. Assim, éramos seis na Família Dias, pois meu tio Moisés também morava conosco.